Hérnia de disco em cães: sinais neurológicos e cuidados

Hérnia de disco em cães é uma condição neurológica que pode evoluir de dor leve para paralisia em questão de horas. Em raças de corpo longo (dachshund, basset, beagle), é uma das emergências ortopédicas mais comuns. Reconhecer os sinais precoces pode fazer a diferença entre recuperação completa e sequelas permanentes.

O que é hérnia de disco intervertebral

A coluna vertebral é protegida por discos intervertebrais — estruturas de gel envolto em fibras que funcionam como amortecedores. Na hérnia de disco (IVDD — Intervertebral Disc Disease), o material do disco se desloca e comprime a medula espinhal ou as raízes nervosas.

Existem dois tipos principais:

  • Tipo I (Hansen): o núcleo do disco se mineraliza e é extrudado bruscamente — mais comum em raças condrodistróficas, pode causar paralisia súbita
  • Tipo II: o disco protui gradualmente — mais comum em raças grandes, progressão mais lenta

Segundo o MSD Veterinary Manual, a doença do disco intervertebral é uma causa comum de compressão da medula espinhal em cães, com prevalência particularmente alta em raças condrodistróficas como o Dachshund.

Raças com maior predisposição

Raças condrodistróficas (com pernas curtas e corpo longo) têm risco muito elevado:

  • Dachshund (salsicha) — risco de até 25% ao longo da vida
  • Basset Hound
  • Beagle
  • Cocker Spaniel
  • Shih Tzu
  • Pekingês

Raças grandes também podem ser afetadas: Labrador, Golden Retriever, Rottweiler, Dobermann.

Dachshund, raça condrodistrófica com maior risco de hérnia de disco
Fonte: Wikimedia Commons

Sintomas de hérnia de disco em cães

Os sinais dependem da localização e da gravidade da compressão:

Grau Sintomas
Grau 1 Dor — relutância em se mover, cifose (costas curvadas), gemido ao ser tocado
Grau 2 Ataxia — andar cambaleante, patas cruzando, instabilidade
Grau 3 Paresia — fraqueza nas patas, dificuldade de sustentar o peso
Grau 4 Paralisia — incapaz de andar, pode urinar e defecar involuntariamente
Grau 5 Paralisia + perda de sensibilidade profunda — prognóstico reservado

Atenção: grau 1 e 2 podem progredir para grau 4 ou 5 em horas. Não espere.

🔗 Ver camas ortopédicas para cães na Amazon  |  Ver no Mercado Livre

Diagnóstico

O exame neurológico pelo veterinário já indica o grau de comprometimento. Para localizar o disco afetado e planejar cirurgia, são usados:

  • Tomografia computadorizada (TC) — padrão ouro
  • Ressonância magnética (RM)
  • Mielografia (menos comum atualmente)

Tratamento

Tratamento conservador (graus 1 e 2)

Repouso absoluto em canil por 4 a 6 semanas + anti-inflamatórios e analgésicos. Proibido subir em móveis, pular e escadas. Taxa de sucesso boa se seguido rigorosamente.

Cirurgia (graus 3, 4 e 5)

Descompressão cirúrgica (hemilaminectomia ou outras técnicas) para remover o material do disco e liberar a medula. Quanto mais rápido operado após o início da paralisia, melhor o prognóstico. Cães operados em até 24 horas com sensibilidade preservada têm até 90% de chance de recuperação.

Cuidados pós-cirúrgicos e na reabilitação

  • Fisioterapia veterinária — fundamental para recuperação motora
  • Hidroterapia (esteira aquática) — permite exercício sem carga na coluna
  • Cama ortopédica — fundamental para cães com problemas de mobilidade
  • Prevenção de úlceras de pressão em cães com paralisia
  • Manejo de bexiga e intestino em cães incontinentes

🔗 Ver suplementos articulares para cães na Amazon  |  Ver no Mercado Livre

Basset Hound, raça condrodistrófica predisposta a hérnia de disco
Fonte: Wikimedia Commons

Como prevenir ou retardar

  • Rampas em vez de escadas para raças de risco
  • Evitar saltos de móveis e camas (redes de proteção, rampa de acesso)
  • Manter peso ideal — excesso de peso aumenta a carga sobre os discos
  • Coleira vs. peitoral — peitoral reduz pressão no pescoço em raças de risco
  • Suplementação articular preventiva — glucosamina, condroitina, ômega-3 (consultar veterinário)

🔗 Ver peitorais para cães (sem pressão no pescoço) na Amazon  |  Ver no Mercado Livre

Conclusão

Hérnia de disco em cães é sério — mas tratável quando identificado cedo. Tutores de raças de risco devem conhecer os sinais e agir rapidamente: horas podem definir se o cão vai andar de novo. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos cães se recupera bem.

Por que raças de corpo longo têm risco tão elevado de hérnia de disco

A conformação anatômica de raças condropáticas como Dachshund, Basset Hound e Corgi — corpo alongado com coluna proporcionalmente mais longa em relação às pernas — sobrecarrega os discos intervertebrais de forma diferente das raças de proporções mais convencionais, associada a uma condição genética chamada condrodistrofia que afeta a estrutura do próprio disco, tornando-o mais propenso a degeneração e ruptura precoce mesmo sem trauma significativo aparente. Isso explica por que essas raças podem desenvolver hérnia de disco após atividades aparentemente inofensivas, como pular de um sofá baixo, que não representariam risco similar para um cão de proporções normais.

O reconhecimento precoce dos sinais é crucial, já que o intervalo entre dor leve e paralisia completa pode ser questão de horas em casos graves — relutância em se mover, postura arqueada, dor ao toque na coluna, fraqueza nas patas traseiras e, em estágios mais avançados, perda completa de movimento e sensibilidade nos membros posteriores são sinais que exigem atendimento veterinário de emergência imediato, já que o tempo entre o início dos sintomas e a intervenção cirúrgica (quando indicada) impacta diretamente as chances de recuperação completa.

Cão que já teve hérnia de disco pode voltar a pular e correr normalmente?

Depende da gravidade do episódio e da recuperação — muitos cães retomam atividade normal com restrições preventivas específicas, enquanto casos mais graves podem exigir limitações permanentes de determinados movimentos de alto impacto.

Fisioterapia acelera a recuperação após cirurgia de hérnia de disco?

Sim, reabilitação física estruturada é frequentemente recomendada no pós-operatório, ajudando a restaurar força muscular e coordenação motora de forma mais eficaz do que repouso passivo isolado.

Peso do cão influencia a gravidade de uma hérnia de disco?

Sim, excesso de peso sobrecarrega ainda mais os discos já vulneráveis, especialmente em raças condropáticas, tornando controle de peso uma medida preventiva relevante mesmo antes do primeiro episódio ocorrer.

Existe exame de imagem específico para confirmar hérnia de disco?

Ressonância magnética é considerada o padrão-ouro para diagnóstico preciso, embora radiografia simples e mielografia também possam ser usadas conforme disponibilidade e urgência do caso clínico específico.

Perguntas frequentes sobre hérnia de disco em cães

Todo caso de hérnia de disco precisa de cirurgia?

Não — casos leves com dor mas sem perda motora significativa podem responder bem a repouso rigoroso e medicação anti-inflamatória, enquanto casos com perda de movimento ou sensibilidade geralmente exigem intervenção cirúrgica de emergência.

Cão que já teve hérnia de disco pode ter recorrência?

Sim, o risco de novo episódio, no mesmo local ou em outro segmento da coluna, existe especialmente em raças condropáticas, tornando cuidados preventivos contínuos (evitar pular de alturas, manter peso ideal) relevantes mesmo após recuperação completa.

Existe forma de prevenir hérnia de disco em raças de risco?

Evitar que o cão pule de superfícies altas (usando rampas ou degraus), manter peso corporal adequado e fortalecer a musculatura de suporte da coluna através de exercício apropriado são medidas preventivas relevantes, embora não eliminem completamente o risco genético de base.


Ver produtos relacionados

🔗 Cama ortopédica para cães (memory foam)
Ver no Amazon  |  Ver no Mercado Livre

🔗 Suplemento articular para cães (glucosamina + condroitina)
Ver no Amazon  |  Ver no Mercado Livre

🔗 Peitoral para cães sem pressão no pescoço
Ver no Amazon  |  Ver no Mercado Livre

Links de afiliado Amazon e Mercado Livre — sem custo extra para você.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui consulta veterinária.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *