Cachorro comendo fezes (coprofagia): por que acontece e como resolver

É um dos comportamentos mais perturbadores para tutores — e um dos mais comuns. Coprofagia (ingestão de fezes) ocorre em algum grau em cerca de 16% dos cães, segundo estudos, e em alguns perfis específicos a prevalência é ainda maior — a VCA Animal Hospitals detalha as principais causas e abordagens desse comportamento. É desagradável, mas nem sempre é sinal de doença grave. Entender a causa é o primeiro passo para resolver.

Tipos de coprofagia

  • Autocoprofagia — o cão come as próprias fezes
  • Intraspecífica — come fezes de outros cães
  • Interspecífica — come fezes de outras espécies (especialmente gato, que é muito comum)

A coprofagia de fezes de gato é particularmente prevalente em casas com os dois animais — a ração de gato é mais densa em proteína e gordura, e as fezes retêm mais nutrientes do que as de cão.

Causas orgânicas: quando é problema de saúde

  • Parasitose intestinal — verminose causa má absorção de nutrientes
  • Insuficiência pancreática exócrina (IPE) — o pâncreas não produz enzimas digestivas suficientes
  • Dieta com baixa digestibilidade — rações de qualidade inferior deixam muito nutriente nas fezes
  • Má absorção intestinal — doença inflamatória intestinal, disbiose
  • Diabetes ou hiperadrenocorticismo (Cushing) — aumentam o apetite de forma geral

Se o comportamento começou de repente em um cão adulto que nunca fez isso antes, prioridade é avaliação veterinária.

Cachorro cheirando o chão em um parque, comportamento exploratório natural da espécie
Fonte: Wikimedia Commons

Causas comportamentais

Comportamento materno normal

Cadelas lambem e ingerem as fezes dos filhotes nas primeiras semanas de vida. É instintivo e normal.

Limpeza do ambiente por medo

Cães punidos por defecar no lugar errado podem esconder as fezes comendo-as. Mais comum em cães criados com métodos punitivos.

Tédio e subestimulação

Cão sozinho no quintal, sem estímulo, pode explorar o ambiente — incluindo as fezes. Mais exercício e enriquecimento ambiental muitas vezes resolve.

Comportamento exploratório em filhotes

Filhotes exploram o mundo com a boca. Muitos experimentam fezes e param espontaneamente entre 6 e 12 meses.

O que funciona para resolver

1. Descarte causas médicas primeiro

Vermifugação atualizada, exame de fezes e avaliação veterinária básica.

2. Melhore a qualidade da ração

Rações com alta digestibilidade deixam menos resíduo nas fezes.

3. Recolha as fezes imediatamente

A medida mais eficaz: elimine o acesso. Recolha as fezes logo após a eliminação. Com gato na casa, posicione a caixa de areia em local inacessível ao cão.

4. Comando “deixa”

Ensine o cão a ignorar as fezes mediante comando com recompensa de alto valor.

5. Suplementos dissuasores

Existem suplementos que tornam as fezes menos atrativas ao paladar canino. Resultados inconsistentes — podem valer a tentativa.

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6. Aumente exercício e estimulação mental

Cão cansado e estimulado tem menos comportamentos exploratórios indesejados.

Dois cachorros se cheirando em um parque, situação em que pode ocorrer coprofagia intraspecífica
Fonte: Wikimedia Commons

O que NÃO fazer

  • Não puna física ou verbalmente — não resolve e pode criar a dinâmica de esconder fezes
  • Não ignore se o comportamento for novo em adulto — pode ser sinal de doença

Diferença entre coprofagia normal em filhotes e em cães adultos

Em filhotes, comer fezes (especialmente as próprias ou da mãe) é relativamente comum e frequentemente passageiro, ligado à exploração oral típica da fase e podendo diminuir naturalmente com a maturidade. Em cães adultos, o comportamento persistente é mais preocupante e merece investigação de causas médicas (deficiências nutricionais, parasitas, doenças pancreáticas) além das causas puramente comportamentais mais comuns em filhotes.

Perguntas frequentes adicionais sobre cachorro comendo fezes

Fezes de gato são especialmente atrativas para cães?

Sim, notoriamente — o alto teor de proteína na ração felina resulta em fezes com odor e composição que muitos cães acham particularmente atrativas, tornando a caixa de areia compartilhada um ponto de atenção especial em casas com os dois animais.

Suplemento específico “anti-coprofagia” vendido em petshops funciona?

Eficácia variável e pouco consistente entre indivíduos — funciona melhor como parte de uma estratégia combinada com manejo ambiental (remoção rápida de fezes) do que como solução isolada garantida.

Coprofagia pode ser sinal de fome real, mesmo com ração suficiente ofertada?

Raramente por fome real quando a quantidade de ração está correta, mas pode estar ligado a má absorção de nutrientes por problema digestivo — merece descartar causas médicas antes de assumir que é puramente comportamental.

Cão que come fezes de outros cães no parque corre mais risco que em casa?

Sim, significativamente — fezes de cães desconhecidos podem conter parasitas ou patógenos aos quais o próprio cão não tem exposição prévia, tornando a supervisão em espaços públicos ainda mais importante do que dentro de casa.

Existe relação entre coprofagia e ansiedade generalizada no cão?

Em alguns casos sim — cães com ansiedade elevada podem desenvolver comportamentos compulsivos diversos, incluindo coprofagia, como parte de um quadro mais amplo que se beneficia de manejo comportamental completo, não só da correção pontual do hábito.

Existe diferença de coprofagia entre machos e fêmeas?

Não há diferença significativa documentada relacionada ao sexo do cão — o comportamento está mais ligado a fatores individuais, ambientais e de aprendizado do que a características sexuais específicas.

Cão idoso que nunca teve o hábito pode desenvolver coprofagia de repente?

Sim, e nesse caso merece atenção redobrada — início súbito do comportamento em cão idoso sem histórico prévio pode indicar problema médico subjacente (declínio cognitivo, doença digestiva), sendo recomendável avaliação veterinária antes de tratar apenas como questão comportamental.

Consultar veterinário comportamentalista vale a pena para caso persistente de coprofagia?

Sim, especialmente quando as estratégias básicas de manejo ambiental e remoção rápida de fezes não resolvem ao longo de várias semanas — um profissional pode identificar gatilhos específicos e desenhar um plano de modificação comportamental mais direcionado ao caso individual do cão.

Castrar o cão reduz a chance de coprofagia?

Não há relação direta comprovada entre castração e redução desse comportamento específico, já que a coprofagia está mais associada a fatores comportamentais e ambientais do que a hormônios reprodutivos.

Cão que come fezes só na presença do tutor tem explicação diferente?

Pode indicar componente de busca de atenção — se o comportamento só ocorre quando observado, vale considerar que a reação do tutor (mesmo que de reprovação) pode estar reforçando involuntariamente o comportamento.

Perguntas frequentes sobre cachorro comendo fezes

Coprofagia pode transmitir doenças ao cão?

Sim, é um risco real — fezes de outros animais podem conter parasitas e patógenos que infectam o cão que as ingere, tornando o manejo do comportamento importante também por razões de saúde, não só de higiene ou estética.

Trocar a ração resolve o problema de coprofagia?

Pode ajudar se a causa for deficiência nutricional real, mas na maioria dos casos comportamentais a troca de ração isolada não resolve — é necessário também intervenção de manejo, como remover fezes rapidamente do ambiente e trabalhar o comando “deixa” com reforço positivo.

Produtos que deixam as fezes com sabor desagradável realmente funcionam?

Têm eficácia variável e dependem de aplicação consistente em todas as fontes de fezes disponíveis (incluindo de outros animais no ambiente) — funcionam melhor como parte de uma estratégia combinada do que como solução isolada.


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As informações deste artigo têm caráter educativo. Coprofagia de início súbito em adultos deve ser avaliada por veterinário.

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