Leishmaniose em cães: prevenção em área endêmica e o que saber

Leishmaniose em cães: prevenção em área endêmica e o que saber

Leishmaniose visceral (LV) é uma das doenças parasitárias mais graves de cães no Brasil — e uma zoonose: pode ser transmitida ao ser humano pelo mesmo vetor. A doença avança pelas cidades e já está presente em todas as regiões do país, com maior concentração no Nordeste, Centro-Oeste e partes do Sudeste. Entender como prevenir é mais eficaz do que qualquer tratamento.

Como a leishmaniose é transmitida

O agente causador é o protozoário Leishmania infantum (chagasi). A transmissão acontece pela picada do flebotomíneo fêmea — o mosquito-palha ou birigui (Lutzomyia longipalpis). O mosquito pica um cão infectado, ingere o parasita, e o transmite ao picar outro animal ou humano.

O cão é o principal reservatório doméstico. Isso não significa que cão doente transmite diretamente — a transmissão exige o vetor (mosquito). Mas cão infectado mantém o ciclo na comunidade.

Sinais clínicos em cães

A leishmaniose tem período de incubação longo — meses a anos. Muitos cães permanecem assintomáticos por muito tempo. Quando os sinais aparecem:

  • Perda de peso progressiva mesmo com apetite mantido
  • Crescimento exagerado das unhas (“onicogrifose” — unhas longas e curvadas)
  • Descamação da pele, especialmente na face e orelhas
  • Úlceras de pele, especialmente nas extremidades
  • Olhos com secreção e conjuntivite persistente
  • Linfonodos aumentados
  • Anemia e fraqueza progressiva
  • Hemorragias nasais

Esses sinais indicam doença avançada. O diagnóstico precoce (antes dos sinais clínicos) é possível por sorologia e PCR.

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Diagnóstico e situação legal no Brasil

O diagnóstico é feito por sorologia (ELISA, RIFI) e confirmado por PCR em amostras de medula óssea, linfonodo ou baço. O Brasil adota o protocolo de eutanásia recomendada para cães soropositivos com carga parasitária alta — tema sensível e que divide opiniões. Em 2016, o Ministério da Saúde autorizou o tratamento com o medicamento Milteforan (miltefosina), antes proibido no país.

O tratamento não cura — reduz a carga parasitária e melhora a qualidade de vida, mas o cão permanece como reservatório. A decisão entre tratamento e eutanásia envolve fatores clínicos, éticos e epidemiológicos.

Prevenção: o que funciona de verdade

Vacina contra leishmaniose

A Leish-Tec (Hertape Calier) e a Leishmune (Fort Dodge, descontinuada) são as vacinas registradas no Brasil. A Leish-Tec é a disponível atualmente — reduz a progressão para doença clínica e a carga parasitária, mas não confere imunidade total. Indicada em cães de área endêmica, a partir de 4 meses, com reforço anual.

Repelentes

O flebotomíneo é menor que o mosquito comum e atravessa telas convencionais. Repelentes de longa duração são a principal barreira:

  • Coleira impregnada (deltametrina): Scalibor é o produto com maior evidência para repelência ao flebotomíneo — eficácia de 3 a 6 meses
  • Spot-on repelentes: permetrinas ou deltametrina tópica — eficácia menor que a coleira, reaplicação mensal
  • Nunca usar permetrina em gatos — letal para felinos

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Manejo ambiental

  • Recolher o cão para dentro ao entardecer e anoitecer (horário de pico do mosquito)
  • Telas finas nas janelas e portas (malha menor que a convencional)
  • Eliminar matéria orgânica em decomposição no quintal (abrigo para o mosquito)
  • Evitar folhas acumuladas, entulho e locais úmidos no peridomicílio

Triagem sorológica anual

Em área endêmica, testar o cão uma vez ao ano permite diagnóstico precoce — antes dos sintomas e com melhor resposta ao manejo. Exame simples, de sangue.


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As informações deste artigo têm caráter educativo. Diagnóstico, tratamento e decisões relacionadas à leishmaniose devem ser conduzidos por médico-veterinário em conformidade com a legislação vigente.

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